O
ser humano não foi criado para viver isolado. “Não é bom que o homem esteja só”
(Gn 2,18) indica a dimensão social da vida humana. Juntos, os homens e as
mulheres, podem alcançar de modo melhor a realização de sua vocação e obter
todos aqueles bens, materiais e espirituais, necessários a uma vida digna (Cf.
CIC nn.1877-1917). Juntos os homens e as mulheres devem buscar o bem comum.
“Por bem comum é preciso entender ‘o conjunto daquelas condições da vida social
que permitem aos grupos e a cada um dos seus membros atingirem mais completa e
diligentemente a própria perfeição’” (CIC n. 1906). O catecismo especifica
ainda mais: o bem comum favorece levar uma vida verdadeiramente humana com
alimento, vestuário, saúde, trabalho, educação, cultura, informação, direito de
fundar um lar e praticar livremente a própria religião. Como o Cristo veio “salvar
o homem inteiro e todos os homens”, a Igreja tem o direito e o dever manifestar
publicamente seu parecer a respeito de todas as questões da vida humana,
inclusive nas questões morais, éticas, políticas e de justiça social (Cf. CIC
nn. 1928-1974). Contudo, todo processo de transformação social – para ser
autenticamente humano e cristão – passa, necessariamente, pelo processo de
conversão pessoal, através do encontro com Jesus Cristo no Espírito Santo, pois
“a primeira obra da graça do Espírito Santo é a conversão que opera a
justificação, segundo o anúncio de Jesus, no princípio do Evangelho: ‘convertei-vos,
pois o Reino dos Céus está próximo’ (Mt 4,17) ”.
Na Sagrada Escritura, principalmente nos escritos dos
Profetas, aparecem várias exortações à conversão, quase sempre como um retorno
à Aliança do Sinai. Uma descrição bem acentuada do sentido da conversão nos vem
do grande Isaías, no capítulo I do livro que traz o seu nome. É mais do que
obvio que, para ele, a conversão não significa simplesmente mudar de grupo,
assembleia, religião ou partido. Isaías denuncia até mesmo o culto religioso
que não gerava transformação da vida social: a exterioridade do culto, as
solenidades que maquiavam a iniquidade, a celebração que não “endireitava a
direção". Daí o apelo urgente de Isaías: “Lavai-vos, purificai-vos, tirai
da minha vista as injustiças que praticais. Parai de fazer o mal, aprendei a
fazer o bem, buscai o que é correto, defendei o direito do oprimido..."
(Is 1, I6-17). João Batista, em sua missão de preparar o novo e definitivo
“pacto" de Deus com a humanidade, exige também a conversão, mas não como o
simples abandono da religião judaica; ele pede uma mudança de atitude para a
adesão à nova condição espiritual: “produzi fruto que mostre a vossa
conversão" (Mt 3, 8). Sem dúvida, a justificação não é mérito nosso, é
pura graça de Deus, contudo, a ação de Deus em nós pede a nossa adesão livre na
transformação do mundo, de tal modo que, possamos autenticamente assumir uma
vida nova em Cristo, na santidade do seu Dom (Cf. CIC nn.1987-2016).
Professor do Curso de Teologia da FHAS
Vigário Paroquial de São José de Mipibu

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