FESTA DE SÃO SEBASTIÃO EM LARANJEIRAS DOS COSMES 2015

Ocorreu em Laranjeiras dos Cosmes a Festa de São Sebastião, de 17/01 a 20/01. Confira algumas fotos abaixo e veja mais no link.


 A programação social da festa também contou com jogos de 12/01 a 20/01 com futsal, voleibol, handebol, atletismo e peso.


Festa de São Sebastião 2015











PE. LENILSON MORAIS VIVERÁ EXPERIÊNCIA DE VIDA MONÁSTICA

"O padre Lenilson Morais, vigário paroquial da Paróquia de Santana e São Joaquim, de São José de Mipibu, vai seguir no próximo dia 01 de fevereiro, para o Mosteiro da Ressurreição, na cidade de Ponta Grossa (PR), onde viverá uma experiência de vida monástica, durante dois anos. Nesta edição do jornal A Ordem, trazemos uma entrevista com o sacerdote, que explica o motivo da opção pela experiência e também o que espera desta nova vivência.

A Ordem: O que o levou a optar pela experiência da vida monástica?
Pe. Lenilson: O desejo da vida monástica não é algo novo. Sou de Passagem, uma cidade muito pacata do nosso estado, e nasci literalmente em contato com a natureza numa casa de fazenda por mãos de uma parteira. Já na minha entrada no Seminário de São Pedro, em 1994, comecei a ter curiosidade pela vida religiosa, especialmente pelas famílias contemplativas. Creio até que, se houvesse conhecido congregações anteriormente, tivesse feito o ingresso em uma delas, mas, sendo “tudo providência de Deus”, vim, graças ao testemunho e pregações do Pe. Xavier, para o amado Seminário Arquidiocesano, ao qual sou profundamente grato pela formação recebida. Quando Dom Heitor era nosso Arcebispo tive uma conversa com ele sobre este desejo. Com sua sabedoria, ele me aconselhou a terminar a teologia. Fui, então, enviado com outros colegas ao Colégio Internacional Maria Mater Ecclesiae, em Roma, onde pude completar o percurso da formação acadêmica. Voltei em 2005 para a Arquidiocese onde recebi a dom da Ordenação Presbiteral das mãos de Dom Matias. Assumi várias funções no seminário e em paróquias, mas sempre continuava a sentir o anseio da vida contemplativa. Tendo sido acompanhado pela Irmã Elisete, fiz um discernimento mais “pé no chão”, menos idealista, chegando no início deste ano, depois de visitar vários mosteiros, a tomar coragem para conversar com nosso dileto Arcebispo Dom Jaime, que, prontamente, entendeu, aceitou e abençoou este propósito.

A Ordem: Qual será o mosteiro no qual o senhor vai ingressar, e a partir de quando?
Pe. Lenilson: Como disse, visitei vários mosteiros do Nordeste e do Sul do País. Cada mosteiro tem suas peculiaridades. Não há dois mosteiros iguais, ainda que sejam da mesma família. Queria um mosteiro que unisse oração, trabalho manual, estudo e vida comunitária; estas dimensões fincadas na tradição monástica, mas abertas ao novo do Concílio Vaticano II. Confesso que encontrei tudo isto, com grande equilíbrio, no Mosteiro da Ressurreição, que fica na cidade de Ponta Grossa/Paraná. O site da Abadia (http://abadiadaressurreicao.org) mostra um pouco desta harmonia. Serei acolhido lá no dia 01 de fevereiro próximo.

A Ordem: O que se pode resumir do conceito de ter essa opção de vida?
Pe. Lenilson: Um monge americano, bem conhecido nos anos 70 e 80, Thomás Merton, escrevera numa de suas principais obras, intitulada em português “A vida silenciosa”, que explicar a vida monástica é, em essência, uma contradição porque o monge não precisar justificar sua opção, se esta é autenticamente uma escolha para “ser discípulo na escola do Senhor”. Diria, então, que os conceitos aqui não se encaixam. O que sei é que sinto há muitos anos o desejo de “viver só a Deus buscando”. E isto não é porque seja mais santo, não o sou mesmo! Na verdade, o principal “voto” do monge é a “conversatio morum”, a conversão dos costumes.

A Ordem: O que o senhor deseja ter como principal experiência?
Pe. Lenilson: Esta questão é muito boa, pois trata-se de uma “experiência”. Continuo sendo padre e o serei até a morte, pela graça de Deus. Toda experiência boa só nos enriquece! Tenho a permissão de nosso Arcebispo Dom Jaime para ficar um ano no Mosteiro, onde serei acompanhado pelos “anciãos” da Abadia. Depois de um ano, no máximo dois, poderei optar por fazer o caminho beneditino, ingressando no noviciado ou retornar à Arquidiocese. O principal de tudo isto é que poderei superar uma dúvida que me acompanha a anos. Se Deus me confirmar neste caminho, certamente permanecerei lá muito feliz, e, se Deus me chamar ao retorno nas “linhas de frente”, regressarei muito agradecido e em paz, pois sempre me senti amado por minha família, pela Igreja e pelas comunidades por onde passei.

A Ordem: Muitos jovens desejam também abraçar essa vocação. Qual o conselho que o senhor lhes daria nesse momento?
Pe. Lenilson: De fato, conheço muitos jovens que desejam ingressar na vida monástica, mas, infelizmente, temos ainda muita carência de mosteiros no nosso Nordeste. Ir a outras terras nem sempre é fácil por motivos econômicos, por laços familiares ou mesmo por preconceito, pois as pessoas, verdadeiramente, não entendem o que é a vida dentro de um mosteiro sério; muitos pensam que um mosteiro é como uma prisão dos tempos medievais, onde cada monge vive trancado numa sela da masmorra. Quando ouço as pessoas me questionarem “o que você vai fazer trancado num mosteiro, podendo ficar aqui fora ajudando as pessoas?”, não repondo, tenho vontade de rir, mas me lembro de uma expressão do Papa Francisco: “A igreja é como um hospital de campo”. Numa guerra há aqueles que vão ao “front” para lutar – estes são os missionários; numa guerra há também os que não aparecem muito, os enfermeiros, os auxiliares que cuidam dos feridos, que os confortam, que escrevem as cartas, há também os mensageiros – estes são os contemplativos. Dia e noite intercedem ao coração de Deus pela humanidade, mas também estão à disposição das pessoas que vão a estes “hospitais da fé” para “serem ouvidas” – algo, por vezes, negligenciado nas paróquias, devido ao ativismo – quer no sacramento da confissão, quer no aconselhamento espiritual. No final, percebemos que o sucesso da batalha só é possível com a cooperação de todos. Se um jovem sente este desejo, não há como explicar e também não há segredos. Crie coragem, ponha sua mochila nas costas, guarde o smartphone e vá passar uns dias no mosteiro. A experiência é a melhor explicação!"

Entrevista retirada do jornal A Ordem.

LIBERDADES

O Mundo ficou perplexo com os últimos acontecimentos na França, por causa do ataque ao jornal (Le Charlie) e assassinato de jornalistas, cometido por fanáticos adeptos da religião islâmica. Desde já, é importante enfatizar que eles não representam todo o Islã. A motivação principal para os ataques foram os desenhos que, segundo a interpretação dos extremistas, desrespeitavam a figura do profeta Maomé.
No Ocidente, o tema da Liberdade é basilar para a compreensão da vida social e política. Sem a clareza do que ela significa, não se tem base para que sejam pensados os conceitos de justiça, igualdade, respeito, solidariedade e, o mais importante, o sentido da Democracia. Se não existe Liberdade, não existe esta forma de poder. As culturas, grega e hebraica, através da filosofia e da fé, embasaram o que na modernidade foi estruturado sobre o significado da Liberdade. A Revolução Francesa é o marco histórico e referência epistemológica para que compreendamos o seu conceito e como este é usado até os nossos dias. Contudo, as mudanças de época, que geraram esta época de mudanças que estamos vivendo, nos trouxeram perplexidades acerca do valor da Liberdade. Ela é um produto almejado globalmente. Todos querem tê-la e vivê-la. Os Meios de Comunicação, que agora com as Redes Sociais, democratizaram, mesmo que ainda com suas limitações, a possibilidade de manifestação da subjetividade, possibilitaram a sua conquista, mas também afloraram os desafios que a acompanham. A Grande Mídia, é sujeito deste novo tempo, mas também passou a ser objeto.
Atualmente, o fenômeno da abrangência e importância do sagrado, e aqui pensemos todas as formas de religião, passa a ter um sentido não só individual e particular, mas, tanto quanto, público e mundial. O atentado às Torres Gêmeas é um símbolo desta verdade. Do mesmo modo que existe a liberdade de expressão, há também a liberdade religiosa. Uma não pode anular a outra; nem muito menos violentarem-se mutuamente. São Direitos Fundamentais, inclusive reconhecidos pela Declaração Universal dos Direitos Humanos de 1948. Quando ainda estava estudando em Roma, nalgumas viagens que fiz ao Norte da Itália e à Inglaterra, observei que já naquele tempo, pelos idos de 2000, existia uma massiva presença de muçulmanos, naquelas paragens. Como já é de conhecimento comum, na França também. Já hoje, e num futuro não tão distante, os países europeus terão um grandíssimo problema para lidar com esta situação religiosa e política. O laicismo europeu é vazio. Eles mataram deus, e o confundiram com uma religião. Renegaram suas raízes e agora estão como árvore velha, tendo o tempo como seu pior inimigo.  
Sem dúvida, as atrocidades terroristas são horrendas e abomináveis. Todos nós as condenamos; e não podemos, em hipótese alguma, alegar qualquer possibilidade de justificativa. Todavia, estes últimos acontecimentos dos Estados Unidos, Europa e, porque não dizer, os daqui do outro lado do Mundo, no tocante ao desrespeito à liberdade religiosa e a tudo que representa sua expressão, também precisam ser analisados e racionalizados. Atenção! A Liberdade não pode perder a Razão. Elas têm que estar casadas e bem integradas. Uma das características da Posmodernidade  é a perda do uso desta racionalidade. Ela acontece no encontro com o Outro. A cultura, a história, os valores e a vida dos Seres Humanos não podem ser violentados, nem com armas, nem com palavras. Umas ofendem ao corpo; as outras denigrem a alma. Temos que pensar muito bem sobre o sentido da Liberdade.
Por fim, que seja mais uma vez enfatizado como abominável e desprezível, qualquer sentimento e prática religiosa que sejam usados para ofender a dignidade dos semelhantes; e ainda, que a liberdade de expressão não seja usada para fundamentar ofensas e ridicularização do que é importante para aqueles que assumem a sua Condição Transcendental e religiosa. Reflitamos sobre tudo isto e viva as Liberdades! Que a Paz possa reinar! Assim o seja!


 
Pe. Matias Soares
Pároco de São José de Mipibu e Vigário Episcopal da Arquidiocese de Natal





A AUTORIDADE E O PODER



A relação entre a autoridade e o poder sempre foi transversal na história do pensamento político. Nunca conseguimos falar sobre uma sem, positiva ou negativamente, fazermos referência ao outro. Ela sempre esteve no centro da experiência comunitária no decorrer das Eras. Talvez, porque seja a composição que mais diga dos seres humanos o que eles são como animal político, como já o afirmara o velho Aristóteles. Cabe afirmar que a consecução da sinfonia entre ambos é uma arte e, por isso, a reflexão sobre a identidade política seja permanente e contínua. Infelizmente, quem mais deseja possuir esta força, na maioria das vezes não a usa com dignidade.
Talvez, para alguns, pareça estranho, mas a base que postarei para esta breve e atual reflexão é um texto do evangelista João que narra no seu evangelho (19,11) a fala de Jesus, quando Ele afirma que Pilatos “não teria nenhuma autoridade sobre Ele se esta não lhe fosse dada por Deus”. Vejamos que aqui autoridade se confunde com poder. O representante do César tinha como condenar ou absolver Jesus. Numa discussão puramente política e temporal podemos nos deixar envolver pela armadilha de que quem tem o poder tem a autoridade. Esta tendência não é evangélica, nem muito menos cristã. Numa teologia política da ação de Deus na história humana, quem tem o poder deve ter autoridade e vice versa. Mas na política dos homens, nem todo aquele que tem poder tem autoridade. Jesus no seu confronto com os herodianos nos diz em síntese que existe uma diferença no comportamento de quem tem o poder e quem tem a autoridade, quando diz que “devemos dar a Cesar o que é de Cesar e a Deus o que é de Deus”. Ainda, diz que o Seu reino não deste mundo (Jo 18,36). Santo Agostinho interpretou magistralmente esta diferença quando escreveu a Cidade de Deus. A autoridade substancia o poder. Ela é a alma do poder. Este sem a primeira se sustenta pela força que violenta, denigre e mata. A autoridade gera, mobiliza e garante a vida. Na modernidade houve a perda desta conexão. O paradigma metodológico não é mais a conversão, mas a revolução. A história não é mais dinâmica por causa da mudança interior; e sim pela violência exterior. A concepção de que o homem é lobo do outro homem, dinamiza as relações de controle. O outro não é mais meu irmão. Ele é objeto instrumental para que um outro seja fortalecido.
Os nossos contextos políticos são fortemente marcados por esta velha política. O fim desta é o poder; não o bem do outro. Esta concepção a torna algo sem moral. Nela, os fins justificam os meios. Quem tem o poder corrompe e é corrompido, mata, persegue, ofende a dignidade dos semelhantes, é perverso. Ele tem poder, mas não tem autoridade. O pior: O povo está insensível a estas práticas e está sendo conivente com este tipo de delinquentes, pois os confirma nos momentos de julgamento. Ainda diz: “Ele rouba, mas faz”. Isto não pode ser autenticado pelo povo. A integração entre a autoritas e potestas é uma urgência que pode nos dizer quando existe, deveras, uma autêntica e sadia democracia.
Por fim, podemos dizer que Autoridade é aquele que usa o poder para servir, com ética e consciência dos deveres junto ao Povo. Esta promove a vida e a dignidade daqueles que são seus semelhantes. Quando é Cristão tem que meditar as atitudes de Jesus no Lava Pés (Jo 13,14-17), que é Modelo para todos nós. Que estejamos inquietos e atentos para que possamos perceber quem está usando o poder, com autoridade, para praticar o bem e a justiça. Assim o seja!


 
Pe. Matias Soares
Pároco de São José de Mipibu e Vigário Episcopal da Arquidiocese de Natal