Na atualidade, um tema que está sendo
abordado com ênfase e atenção pelos pensadores sociais é a importância do
Cuidado pelo bem do outro. Nas relações humanas e circundantes há uma atenção
premente que deve ser dada ao Cuidado com os semelhantes, com a natureza e o
mundo, já que existe uma globalização da indiferença (Papa Francisco). Esta é
uma constatação séria e preocupante. Há uma perda de consciência de que fazemos
parte do conjunto da Criação. A Era dos indivíduos e, às vezes, das tribos, é
um sinal antropológico de que a preocupação global com o futuro da Humanidade,
e com tudo o que está em função dela, não é levada muito a sério pelas pessoas
que têm responsabilidades numa ordem sistêmica mais ampla.
A política tem que ser pensada como a
arte de cuidar. Como ação humana, ela tem que estar em função do outro. Ela é
ciência prática. Deste modo, tem que estar em sintonia com a ética social. Na
posmodernidade, a concretização da necessidade subjetiva do outro como meio de
interação pessoal e comunitária é o Cuidado. O paradigma instrumentalista e
pragmático pensa esta possibilidade, antes de tudo, como um Cuidado de si. Esta
é uma questão que na Sociedade individualista é vista como uma necessidade de
autoafirmação das vontades. O poder é a meta das atitudes humanas e através
delas, como força, passa o sentido da política, ou seja, o que era tido como
meio de realização da justiça em vista do bem comum, é pensado como meio de
conquista do bem individual. Eis um dilema com o qual a política na
contemporaneidade não está sabendo se reconciliar.
O discurso político na atual
conjuntura é medíocre e imediatista. Promessas são lançadas ao vento com uma
única finalidade: todos querem chegar ao poder. Não existe preocupação com o
governo para o outro, mas com o governo para si. Os bens são conquistas para
pessoas e grupos isolados. A maioria não participa do usufruto da coisa
pública. A corrupção é um câncer, que tem na impunidade a sua maior aliada. Os
direitos sociais básicos não chegam às periferias sociais da população. Quando
oferecidos, vêm como forma institucionalizada de compra de votos e
subserviência escravizante. As vontades coletivas tornam-se dependentes de quem
estar com o poder e não quer democratizá-lo. Não existe condição democrática
séria, em nenhuma realidade política quando há manutenção da miséria pela
doação de esmolas. Não é em vão que todos os candidatos à presidência não
avançam nas políticas públicas que deveras concedam ao povo liberdade. A
vocação da política não pode deixar em segundo plano esta sua finalidade.
Existe um problema na política brasileira que é disfarçado pelo ataque aos
problemas políticos que existiram no passado. Falta um justo meio. Falta de
liberdade e corrupção são duas faces da mesma moeda, que desfiguram a
identidade da democracia. Neste aspecto, devemos ser críticos da concepção de
política defendida na época hodierna. Pensemos no alto dispêndio de dinheiro
público e privado que existe nas campanhas eletivas. E o pior: falta seriedade.
A maioria não tem projetos e não apresenta perspectivas diferenciadas. A
política é mais de propaganda, que neste caso é usada para camuflar o nível de
mediocridade que adjetiva a maioria dos candidatos.
Por fim, sobre uma política do
Cuidado é uma reflexão a ser levantada e aprofundada pelos cientistas políticos
e sociais para que possamos reabilitá-la à sua peculiaridade. A atenção, que
todos os cidadãos e pessoas de boa vontade precisam dar à política, é urgente.
Quem não a pensa como meio autêntico para pensar o bem social, não estará
cuidando de si na sua condição de animal político. Assim o seja!
Pe. Matias Soares
Pároco de São José de Mipibu-RN

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