Esta pergunta foi feita à jovem Karolinne Virgínio, 20 anos, estudante de Direito, agente da Pastoral da Comunicação, integrante do Ministério de Música Resgata-me e do Segue-me, da Paróquia de Sant'Ana e São Joaquim, em São José de Mipibu. Para Karol, como é conhecida, "Ser bem recebido nas celebrações, ou mesmo nas reuniões de grupos e pastorais, além de influenciar no interesse de continuar frequentando a Igreja, permite que o jovem encontre, naquele ambiente (Igreja), uma oportunidade de se expressar e também de firmar a sua fé."
A Ordem: O que você, enquanto jovem, espera da Igreja?
Karol: Acredito que a Igreja deva ser espaço
acolhedor para toda pessoa, faça ela parte de qualquer faixa etária. Com o
jovem não é diferente. Ser bem recebido nas celebrações, ou mesmo nas reuniões
de grupos e pastorais, além de influenciar no interesse de continuar
frequentando a Igreja, permite que o jovem encontre, naquele ambiente, uma
oportunidade de se expressar e também de firmar a sua fé. De fato, nesta fase de amadurecimento físico
e mental dos adolescentes e jovens adultos surgem inúmeras dúvidas sobre como
desenvolveremos a nossa personalidade e os valores éticos que pretendemos
seguir daqui pra frente. A Igreja Católica, como instituição milenar
encarregada de transmitir os ensinamentos de Jesus Cristo, é base sólida na
qual podemos nos apoiar na busca de solução para estes conflitos. É papel da
Igreja atuar nos movimentos sociais em defesa da dignidade do ser humano e da
vida, e a partir de suas obras abrir as portas para a participação da juventude
que se inquieta com essas questões e ainda vê esperança na construção de um
mundo melhor para se viver.
A Ordem: Quais os desafios de ser um jovem católico?
Karol: Muitos são os desafios que o jovem enfrenta
quando decide viver a religião para além dos muros de sua Igreja. Nós, enquanto
católicos, sofremos críticas constantes daqueles que não se dão ao trabalho de
conhecer o empenho da evangelização feita dia após dia. Muitos são
influenciados pelos próprios educadores que reproduzem as tristes, embora
reais, injustiças cometidas pela Igreja durante a Idade Média, mas em
contrapartida não são capazes de listar as diversas ações em que a Igreja lutou
pelo bem da sociedade. Quando ingressamos na Universidade a
situação ainda consegue piorar.
Professores tentam nos fazer engolir ideais ateístas supostamente bem
fundamentados, muitas vezes desrespeitando e ridicularizando nossa crença. Os
próprios estudantes, consumidos por esta concepção distorcida de liberdade,
passam a tratar sua sexualidade de modo banal, desrespeitam o próprio corpo com
o consumo excessivo de bebidas alcoólicas e outros tipos de drogas. Ser um
jovem católico, nessas circunstâncias, implica ser mal compreendido e também
excluído de determinados círculos de amizade. É preciso, acima de tudo, muita
convicção na fé que temos em Jesus Cristo, e maturidade para saber distinguir o
que será benéfico para nossa vida.
A Ordem: Como você percebe a relação da Igreja com a juventude? Ela tem falado a linguagem do jovem?
Karol: Nos
últimos anos a Igreja tem despertado para criação de novos métodos na
transmissão da Palavra de Deus para os jovens. Seja por meio da evangelização
feita pelas Novas Comunidades - como, por exemplo, a Canção Nova, e a
Comunidade Shalom, que surgem como novas formas de vida evangélica – bem como
pelos Encontros de Jovens com Cristo que abrem portas para a atividade
Pastoral. É uma oportunidade principalmente para aqueles que não tiveram contato
com a Igreja desde a infância, mas que desejam ter esta experiência. A alegria
que transborda dos corações daqueles que já servem, contribui imensamente para
que outros jovens também se interessem. A
Jornada Mundial da Juventude que aconteceu no Brasil, em 2013, segundo o Comitê Organizador Local, atingiu o número de 3,7
milhões de pessoas durante a Missa de Envio (último ato central do evento), o
que reflete o fortalecimento desta relação da Igreja com a Juventude. Sem
dúvidas, o Papa Francisco com sua maneira direta e simples de comunicar a Boa
Nova, tem alcançado os jovens fiéis. Por fim, acredito que ainda existam outros avanços que a
Igreja pode dar neste elo com a juventude. Uma sugestão seria a maior divulgação
das formas de vida religiosa existentes na Igreja, que a meu ver permanecem
ainda muito desconhecidas aos olhos dos mais novos. Com esse contato teríamos a
alegria de ver mais jovens descobrindo suas vocações.
A Ordem: Que mensagem você poderia
deixar para os demais jovens, que integram movimentos e grupos da Igreja,
principalmente neste dia 30 de março, em que se comemora o Dia Mundial da
Juventude?
Karol: Aos jovens que dão
vida aos movimentos e pastorais da nossa Igreja, desejo que comemorem o Dia
Mundial da Juventude seguindo os conselhos do Papa Francisco quando afirma que
prefere uma Igreja acidentada, ferida e
enlameada por ter saído pelas estradas, a uma Igreja enferma pelo fechamento e a comodidade de se agarrar as próprias seguranças. Sendo assim, que este dia, seja marco de transição para todos aqueles grupos que ainda não despertaram para a necessidade de ir ao encontro de outros jovens que hoje passam por dificuldades. Deixo aqui também minha oração por todos aqueles que por vezes se sentem desestimulados a continuar na missão evangelizadora, seja por falta de apoio na família, ou pela falta de comprometimento dos demais leigos de sua paróquia, grupo ou pastoral. Sejamos sempre perseverantes e busquemos nossa força naquele que nos designou tal tarefa. No Antigo Testamento o Senhor fala a Josué: Não fui eu que lhe ordenei? Seja forte e corajoso! Não se apavore, nem desanime, pois o Senhor, o seu Deus, estará com você por onde você andar. (Js 1: 9-10)
enlameada por ter saído pelas estradas, a uma Igreja enferma pelo fechamento e a comodidade de se agarrar as próprias seguranças. Sendo assim, que este dia, seja marco de transição para todos aqueles grupos que ainda não despertaram para a necessidade de ir ao encontro de outros jovens que hoje passam por dificuldades. Deixo aqui também minha oração por todos aqueles que por vezes se sentem desestimulados a continuar na missão evangelizadora, seja por falta de apoio na família, ou pela falta de comprometimento dos demais leigos de sua paróquia, grupo ou pastoral. Sejamos sempre perseverantes e busquemos nossa força naquele que nos designou tal tarefa. No Antigo Testamento o Senhor fala a Josué: Não fui eu que lhe ordenei? Seja forte e corajoso! Não se apavore, nem desanime, pois o Senhor, o seu Deus, estará com você por onde você andar. (Js 1: 9-10)
Fonte: Jornal A Ordem (http://arquidiocesedenatal.org.br/banca/jornal-a-ordem-29-03-2015)



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