O Natal está chegando. Todos os
ambientes são ornamentados e projetados para que as pessoas pensem no que estão
a celebrar. Pelas ruas dos centros das cidades, muitas luzes e árvores são
colocadas. Os representantes públicos aproveitam o ensejo para maquiar as
gestões desastrosas e ineficientes. Nos shoppings, o efêmero é o mais exposto.
Os meios de comunicação massificam o inconsciente coletivo para que este compre
e necessite do supérfluo. Uma alucinação social é fortalecida, para que a pessoa
humana se torne objeto das estruturas econômicas e de consumo.
Na atualidade nos encontramos com a
permanente ênfase dada à crise econômica. Estudiosos defendem que ela é, antes
de tudo, antropológica. Esta é fruto da Era da Razão que patrocinou o ofuscamento
de Deus da condição humana. As crises do humano contemporâneo estão vinculadas
à perda de um referencial objetivo e esclarecedor da própria existência. O que
faz sentido para o homem posmoderno é o que pode situá-lo aqui e agora. Por
isso, ele veio a ser presa fácil de quem consegue manipulá-lo e aliena-lo do
real e de tudo o que oferece algum sentido para a vida. Numa sociedade
individualizada não há espaço para o que forma a subjetividade, mas o que a
coisifica. O indivíduo é transformado numa situação. A crise é o confronto da
razão consigo mesmo, sem uma referência com algo que a sustente. Há uma
dificuldade de encontrar a verdade. Neste sentido, a mensagem do Papa Francisco
para a celebração do 49° Dia Mundial da Paz, é bem consistente. O pontífice
assinala três formas de indiferenças que não possibilitam a experiência da paz
no mundo contemporâneo, a saber: A indiferença para com Deus; para com o Outro
e para com a realidade circundante. Estas três estão levando a Sociedade à
indiferença globalizada. O Papa jesuíta preceitua que há a urgência de ser
formada uma cultura da solidariedade e misericórdia para vencer a indiferença. Ele
afirma que “em primeiro lugar as famílias são chamadas a uma missão educativa
primária e imprescindível. Elas constituem o primeiro lugar onde se vivem e
transmitem os valores do amor e da fraternidade, da convivência e da partilha,
da atenção e do cuidado pelo outro. São também o espaço privilegiado para a
transmissão da fé, a começar por aqueles primeiros gestos simples de devoção
que as mães ensinam aos filhos”. O que mais é necessário para que as famílias
celebrem o autêntico Natal do Senhor é justamente a presença do amor, da
solidariedade e do perdão. Estes sentimentos nunca podem estar em crise num
ambiente familiar sadio e humanizado.
A crise de compreensão do verdadeiro
sentido do Natal nos interpela a pensar uma ordem sistêmica sem a presença de
ações humanas que não gerem rupturas, mas harmonia e coesão sociais. Os
fenômenos conjunturais da violência, intolerâncias, guerras, fundamentalismos
religiosos, injustiças, corrupções e descaso com a vida dos mais vulneráveis,
devem nos interpelar. O que pode ser feito para que o Ser Humano não seja o
pior inimigo dele mesmo? Ele tem que voltar-se para uma realidade que possa
dizer a sua verdade.
Por fim, como celebrar o Natal em
tempos de crise econômica, política, religiosa e, por isso, humana? Procurando
celebrá-lo como deve ser vivido; ou seja, como um acontecimento cristão, e não
como pagão. Se assim o fizermos, seremos condicionados por uma situação social
que, sendo indiferente a Deus e à revelação do Seu amor, não nos deixará encantar
pelos sentimentos de alegria e bondade que devem concretizar-se em nossas vidas
e nas celebrações natalinas. Estejamos atentos e nos convertamos à centralidade
do Menino Deus, em nossas vidas! Assim o seja!
Pe. Matias Soares
Pároco
de São José de Mipibu-RN

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