Excelentíssimo
e Reverendíssimo Dom Jaime Vieira Rocha, ao Sr. minha comunhão e obediência
filial, bem como a afetuosa gratidão de toda a Paróquia de Sant’Ana e São
Joaquim.
Saudação
fraterna, grata e respeitosa ao Pe. Edilson Nobre (Vigário Geral), ao Pe. Severino
dos Ramos (Vigário Espiscopal da RegiãoSul), ao Pe. José Pereira Neto
(Coordenador do XIII Zonal) e todos os meus irmãos padres e diáconos aqui
presentes; de um modo muito especial, saudação de unidade, esperança e paz a meus
irmãos mais próximos na missão que ora assumo: Pe. Rogério Barros e Pe.
Marcondes Alexandre. E ainda, ao irmão e amigo Pe. Ajosenildo Nunes. Nele meu
abraço aos estimados colegas de turma.
Permitam-me
saudar ainda aos queridos religiosos e religiosas que atuam em nossa Paróquia:
Filhos de Sant’Ana, Religiosas do Sagrado Coração e Irmãs da Divina Providencia;
e também as Novas Comunidades de vida e aliança: Shalon, Boa Nova e
Magnificat.Às nossas amadas famílias e amigos que vieram de muitas cidades, bem
como as pessoas que representam e servem o Povo de Deus nas instituições públicas
do nosso e de outros Municípios, nosso agradecimento pela presença e
consideração.
Amados
irmãos e irmãs,
Ressoa
em meus ouvidos e coração a Palavra de Deus da Primeira Carta de São Pedro (5,
1-11) proclamada na liturgia desta Celebração: “Sede pastores do rebanho de Deus,
confiado a vós; cuidai dele, não por coação, mas de coração generoso; não por
torpe ganância, mas livremente; não como dominadores daqueles que vos
foram confiados, mas antes, como modelos do rebanho”. Hoje
tenho consciência da grave missão que me é confiada. Governar é tarefa difícil
para quem não viveu, desesperadamente, correndo para fazer “carreira
eclesiástica”. Servi quase a totalidade destes meus 11 anos de sacerdócio como
simples vigário paroquial e nestes últimos quatro anos cooperei de coração
sincero com o estimado e honrado Pe. Matias Soares. Foi ele, em primeiro lugar,
que vendo nosso trabalho e consultando os Conselhos da Paróquia, viu que seria
justo e natural que eu pudesse lhe suceder nesta missão.
Assumo
hoje a guia pastoral desta amada paróquia “não como dominador,não por torpe ganância,
mas livremente”. Contudo, hoje mais maduro que outrora, tenho
consciência que o pior tipo de governo é aquele feito para agradar pessoas ou
grupos. Quem pastoreia uma porção do Povo de Deus precisa ver o bem da
coletividade sem esquecer a pessoa em particular quando esta está aberta a
receber o remédio – por vezes amargo – da misericórdia de Deus. Quero deixar
bem claro desde o início: que ninguém confunda paciência e simplicidade com
imbecilidade!
Por seis
anos – com o favor de Deus – estarei Pároco de toda a região deste Município e de
todos os grupos, pastorais, movimentos e serviços que usem o nome de católico;
dos que quiserem e dos que não quiserem também. Mas o farei sempre começando
pelo diálogo sem emissários, sem dar ouvidos às “fofocas paroquianas” de uns ou
de outros, pois tenho muito cuidado com os aplausos e elogios fáceis uma vez que
já se repetiu aqui nestas terras a frase existencialista dos filósofos: “a boca que me louva é a mesma que me cospe,
as mãos que me aplaudem são as mesmas que me apedrejam”.
“Revesti-vos
todos de humildade no relacionamento mútuo, porque Deus resiste aos soberbos,
mas dá a sua graça aos humildes”. A
nossa missão aqui em solo mipibuense será de continuidade. Não estou fundando
nem irei encerrar as atividades da Paróquia de Sant’Ana e São Joaquim. É
preciso respeitar a história, a memória e as conquistas de meus predecessores.
Devemos reconhecer publicamente que nos últimos 6 anos a paróquia bebeu
avidamente das fontes do Concílio Vaticano II, do documento de Aparecida e das
constantes “provocações” do Papa Francisco. Não podemos, não queremos e não
iremos recuar em nenhuma conquista, a saber: a paróquia presente nas periferias
através dos seus 13 setores missionários; a paróquia em estado permanente de
missão; a paróquia de portas abertas com horário diário para celebrações, confissões
e atendimento aos fiéis; a paróquia preocupada com a defesa da dignidade do ser
humano; a paróquia que denuncia, opina e sugere nas questões sociais e
políticas do Município. Ressalto ainda que a casa paroquial também está de
portas abertas para os bons paroquianos, ou seja, aqueles que amam a Igreja e
lutam por ela. Ela continuará fechada para os “inimigos da igreja”, que às
vezes estão dentro dela mesma e são os mais perigosos. Nossa casa é local para
os padres rezarem, estudarem, prepararem as homílias e formações, para seu
justo e merecido descanso e para a sadia convivência com as pessoas de bem,
independente de seu status social.
“Lançai
sobre ele toda a vossa preocupação, pois é ele quem cuida de vós. Sede
sóbrios e vigilantes”.Assumo
esta Paróquia sem grandes preocupações, pois sei que Deus cuida de nós e também
porque nossos Conselhos estão em pleno e efetivo funcionamento: O Conselho
Missionário Pastoral Paroquial (CMPP) e o Conselho para Assuntos Econômicos e Administrativos
(CAEP). Não tomarei nenhuma decisão relevante sem antes consultar os Conselhos
conforme suas competências. Além disso, continuaremos uma COMUNIDADE de três
sacerdotes. Ao meu bom irmão Pe. Rogério Barros – filho desta Terra e vigário
mais antigo – compete por direito responder pela paróquia em minha ausência. Ao
Pe. Marcondes Alexandre – sacerdote nas primícias e entusiasmo do Ministério – nossas
mais sinceras boas vindas e convite a trabalharmos sempre em “comunhão e
missão”. Podemos ser todos muito felizes na diferença se renunciarmos a projetos
de “vaidades pessoais” para trabalharmos pelo projeto comum da Paróquia de
Sant’Ana e São Joaquim. Tal projeto é seu Plano Missionário Pastoral – aprovado
em assembléia em fevereiro deste ano – em plena sintonia com o Marco
Referencial da Arquidiocese para o Quadriênio 2016-2019.
Nesta linha, convido vivamente as Comunidades Religiosas,
as Novas Comunidades com casas na Paróquia, os grupos, pastorais, movimentos e
serviços e todos os membros do Povo de Deus a nos irmanarmos como num só Corpo
bem unido pelo bem da Igreja que é a justiça, a paz e salvação da família, do
planeta – “casa comum” – e da sociedade.
Permitam-me
agora dirigir ainda uma palavra a algumas categorias de pessoas e instituições:
- Ao Abrigo Anízia Pessoa: O Abrigo Anízia
pessoa é a maior obra de misericórdia de nossa Paróquia. Lá se pratica
permanentemente pelo menos oito obras de misericórdia entre corporais e
espirituais. Continuemos a amá-lo e a apoiá-lo. Gratidão imensa a Congregação
da Irmãs da Divina Providência.
Ao Instituto Pio XII: Peço ao pais
cristãos e católicos que no próximo ano matriculem seus filhos nesta grande
obra educativa – sonho do Mons. Antônio Barros. Mas peço também a Direção e ao
Corpo Docente que não foquem nas coisas negativas. Lembremos a “gloriosa
história”, mas avancemos com esperança para o futuro. Para tudo há solução
quando nos abrimos ao novo sem rejeitar os valores perenes. Vivamos o hoje..., este
é nosso tempo, estes são nossos desafios. NÃO às lamentações e lamúrias de
derrotados! Mas, SIM à conclusão heróica, se preciso for!
Aos Grupos e Movimentos antigos: Quero
agradecer por terem sido protagonistas da história desta Paróquia nos seus 254
anos. Porém, vocês reclamam que faltam novos membros. Não será porque ainda não
se abriram plenamente à missão? Entrem nos Setores Missionários, assumam as
missões, estejam em plena comunhão com o Plano Pastoral e não lhes faltarão
novas e entusiasmadas “vocações”.
Ao ECC, SEGUE-ME e EJAC – A maior parte do
“sangue novo” para a vida pastoral da Paróquia vem destes Serviços. Quero os
reconhecer, apoiar e incentivar mais ainda. Mas peço também que não façamos destes
serviços uma espécie de “clubes fechados”. Abramo-nos ao que a Igreja nos pede
hoje, sobretudo, à missão e à inserção na vida pastoral paroquial, que é a
finalidade para as quais foram criados no sopro sempre renovador do Espírito
Santo.
Aos Jovens – Repito e faço minhas as
palavras de meu antecessor, Pe. Matias Soares: “invadam esta paróquia!”. Mas
peço, rezem e rezem muito. Escutem nosso Senhor Jesus Cristo no silêncio diante
do Santíssimo Sacramento e também na oração pessoal com a Palavra de Deus em
suas casas e grupos. É que se agente não reza, a emoção e o entusiasmo do
momento passam e, logo nos esquecemos do Primeiro Amor.
Aos Idosos – Vocês tem um lugar muito
especial no meu coração. Vocês não são “peça descartada”. Muito pelo contrário,
se não fossem vocês, nós não estaríamos aqui. Vocês são a base sólida da
sociedade. Quero convidá-los a se sentirem também protagonistas da missão a seu
modo e com suas forças limitadas pelo peso da idade e pelos sacrifícios em prol
de suas famílias.
Aos Políticos e
aos que assumem funções de serviço público – Vocês exercem uma “liturgia”,
um serviço para o bem comum. Não maltratem, não humilhem, não persigam o nosso
povo já tão sofrido. Sirvo-me da substanciosa Mensagem de nosso Arcebispo Dom
Jaime por ocasião das Eleições: “O bom
político é ético e corajoso, por ter senso de justiça, ser coerente entre o
discurso e a prática; é honesto, transparente e verdadeiro antes, durante e
depois da campanha política; é defensor da vida e da dignidade da pessoa humana
em todas as suas manifestações, desde a concepção até a morte natural; é humano
e popular sem ser populista. Promove a justiça social (...), tem sensibilidade
ecológica. O bom político é administrador. Sabe delegar e descentralizar. Sabe
escolher seus colaboradores diretos a partir da competência profissional
determinando, com clareza, o que cabe a cada um realizar e cobrando
resultados...”. Acrescento apenas que o bom político acata os anseios de
sua paróquia e, se é católico, honra publicamente este nome. Não tem duas
práticas: um discurso pela Igreja quando lhe convém e uma prática contra a Igreja,
concretamente contra os anseios do povo de sua Paróquia. Agir assim não
significa que é subserviente à religião, muito pelo contrário, isto significa
capacidade de diálogo e de encontrar soluções. Nem a Igreja precisa ser
submissa ao Estado nem o Estado ser inimigo da religião. Isto é democracia;
isto é ser laico, não laicista.
“Bem aventurados
os misericordiosos porque alcançarão misericórdia”(Mt 5,7). Esta será a
grande e principal motivação de nosso paroquiato. Tendo plena consciência, como
diz o Apóstolo Paulo, que (2 Cor 4, 7-8), só podemos acolher e propagar
a misericórdia do Senhor. Não tenhamos
medo da misericórdia! Ela não é contrária à justiça. Antes, a justiça
social, a justiça pastoral, e inclusive a equilibrada justiça punitiva já é o
começo da misericórdia. A misericórdia, porém, ultrapassa incalculavelmente a
justiça, pois o amor de Deus por nós é livre, gratuito e ilimitado.
Finalmente, não foi por acaso que escolhemos o dia da
Bíblia e de São Jerônimo para iniciarmos esta nova fase de nossa caminhada
pastoral. Próximo ano estaremos celebrando os 255 anos de fundação desta
Paróquia de Sant’Ana e São Joaquim. Anuncio que, de 22 de fevereiro de 2017 a 22
de fevereiro de 2018 celebraremos em todo o território paroquial, o I ANO
BÍBLICO MISSIONÁRIO PAROQUIAL. Confiando ao Sagrado Coração de Jesus, à Maria
Santíssima, Mãe da Divina Providência e aos Bem aventurados Mártires de Cunhaú
e Uruaçu este tempo de graça e salvação, agradeço a todos pela presença, apoio
e amizade sincera. Deus nos favoreça! Amém.
Pe. José Lenilson de Morais - Pároco
São José de Mipibu/RN, 30 de setembro
de 2016

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