A verdade
é aquilo que se é. Jesus disse “eu sou o caminho, a verdade e a vida”. Assim
falou porque quando Deus se revelou pela primeira vez simplesmente disse a
Moisés: “EU SOU AQUELE QUE SOU” (Êxodo 3,14). Na sociedade atual as pessoas não
são o que são, mas o que aparentam ser, o que desejariam ser. Não é novidade
que o próprio termo latino “persona” indica na psicologia a “mascara” ou o
papel que se assume na sociedade. A princípio não é uma questão de culpa, no
sentido de “fingimento” e sim o comportamento que por diversos fatores
familiares e sociais o sujeito vai assumindo no seu meio. Neste sentido, só as
crianças em tenra idade não usam máscaras. Todos as usamos porque não somos
capazes de, como Deus, revelar a essência o tempo todo. Nunca houve nem haverá
outro caminho para o homem: para viver em sociedade é indispensável constituir
seu próprio papel, sua “personalidade”, enfim, sua identidade real e marcada
por luzes e sombras. O perigo é quando a “persona” não se aproxima da verdade,
é algo falsificado e mentiroso. Eis o problema da “vertigem digital”. Por
vertigem digital entenda-se a ansiedade e o impulso desordenado por acompanhar,
curtir, postar e revelar sua pessoa nas redes sociais causando uma enorme perda
de tempo, a dependência da internet e a sensação de que: “quem não se exibe não
existe!”.
Basicamente,
na última década começou a se formar uma nova cultura de massa. Se antes as
telenovelas, os programas de rádio e as revistas de fofocas ocupavam as pessoas
para se informarem sobre a “vida dos famosos”, hoje cada um faz-se famoso
graças ao alcance das redes sociais. Houve uma espécie de popularização da
“famosidade” assim como um acesso mais imediato as notícias, opiniões e também
fugacidades. A tão cantada “liberdade
liberdade...” não está nem perto de se realizar ao contrário do que se propaga
com o chavão do “fórum digital” ou “globalização do conhecimento”. As notícias
continuam a serem manipuladas pela grande mídia, por muitos blogs submissos ou
comprados e a maioria da população direcionada pelo poder hipnotizador das
redes sociais. Publique-se um texto de 15 linhas sobre um tema relevante que a
indiferença é sinalizada por umas minguadas curtidinhas, compartilhe uma foto
da coisa mais corriqueira do seu dia e o celular não vai parar de dar aquele
assovio que lhe estimula a continuar a “comer” o que nunca vai lhe saciar. No
livro #vertigemdigital (escrito assim mesmo) o escritor Andrew Keen mostra o
quanto o que parece ser sinal de liberdade torna-se meio para um controle da
população infimamente superior a todas as épocas porque agora a privacidade já
não existe. Empresas mundiais compram as informações e sabem muito mais de nós
que nós mesmos, e pelas “maravilhosas redes” influenciam diretamente as
tendências, os costumes e o consumo. A força hipnótica e alienadora chega
também a vida concreta quando muitas pessoas tem suas vidas e dignidade destruídas
pela velocidade de propagação das mentiras, calúnias e suposições. Além disso,
a banalização da morte é o primeiro prato do dia. Há quem prefira tirar uma foto
ou até uma selfie da última agonia da vítima de acidente a usar seu celular
para chamar a urgência. Tudo isto é invenção do demônio? Certamente não, é do
homem mesmo! Contudo, o grande problema é que ainda somos incapazes de
discernir e fazer escolhas diferentes uma vez que se renova a cada dia a
observação de Jesus: “os filhos das trevas são mais prudentes/espertos que os
filhos da luz” (Lucas 16, 8).
Pe. José
Lenilson de Morais
Pároco da Paróquia de Sant’Ana e São Joaquim – São José de
Mipibu/RN

Nenhum comentário:
Postar um comentário