A Igreja é chamada a ser Comunidade
de comunidades; Família das famílias; Casa para quem não tem casa... Isto não é
uma novidade. É a proposta do Evangelho. É o que Jesus Cristo nos pede. É algo
que, levado a sério, nos inquieta e amedronta. Às vezes, até nos entristece;
pois, não fazemos o que somos chamados a testemunhar e praticar, nem vivemos o
que deveríamos, nem como viver... Nos convertamos!
A reviravolta da ação missionária da
Igreja passa, muito particularmente, pela mudança de mentalidade da pessoa dos
presbíteros. O povo ainda é muito dependente das nossas iniciativas e modos de
agir. A estruturação hierarquizada e sacramental da história da Igreja formatou
esta condição eclesial. Por isso, temos que repensar as condições formativas
dos futuros presbíteros e os esquemas da formação permanente que são
organizados. A espiritualidade missionária dos sacerdotes tem que ter na
meditação da Palavra de Deus a sua maior e mais significativa referência, para
a integração da sua vida e condição de Homem de fé e servidor do Povo de Deus.
Eis uma prerrogativa, que é dos presbíteros, porque deve ser de todos os
cristãos. Nos tornamos discípulos e somos provocados constantemente ao
seguimento do Senhor, quando deixamo-nos interpelar pela Sua Palavra. Por isso
que a vida do Presbitério de uma Igreja Particular não pode prescindir da
escuta e intimidade com esta Palavra, que é de Deus; pois é no Evangelho que
está testificada a vida de Jesus de Nazaré, do qual somos seguidores e colaboradores
no anúncio do Reino dos céus. Ele é o Missionário por excelência do Pai, que O
enviou e, que, por sua vez, nos envia. Nós, presbíteros, somos ministros da
Igreja e cooperadores da missão de Jesus Cristo. Esta Igreja é o Povo de Deus.
A mística missionária está intimamente relacionada à mística do presbítero. O
que este testemunha no Mundo, deve viver dentro do Presbitério, na comunhão com
os demais irmãos e na colaboração com o seu Bispo diocesano. Temos que
redescobrir a mística do Presbitério! O Mundo ocidental está mergulhado no
individualismo e no consumismo, ou seja, no mundanismo espiritual. Eis o
problema. Entre nós, não pode ser assim. É Jesus que nos diz e fala para a Sua Igreja.
Horizontes novos surgem a cada dia. Porém, a nossa missão é a mesma. Somos
servidores do Evangelho, que é a verdade de Deus revelada em Jesus Cristo, o Filho
do carpinteiro de Nazaré. O Mestre é quem nos prepara para a missão. Antes de
sermos missionários, devemos ser Cristãos. O presbítero, na atualidade, está em
constante situação de fronteira. O seu lugar são as situações geográficas e
existenciais. O Papa Francisco nos convoca a sermos pastores com o cheiro das
ovelhas.
A V Conferência de Aparecida ensina
que um dos desafios da vida do presbítero se refere “aos aspectos vitais e
afetivos ao celibato e a uma vida espiritual intensa na caridade pastoral, que
se nutre na experiência pessoal com Deus e na comunhão com os irmãos; também ao
cultivo de relações fraternas com o Bispo, com os demais presbíteros da Diocese
e com os leigos. Para que o ministério do presbítero seja coerente e
testemunhal, ele deve amar e realizar sua tarefa pastoral em comunhão com o
Bispo e com os demais presbíteros da Diocese. O ministério sacerdotal que brota
da Ordem Sagrada tem radical forma comunitária e só pode desenvolver-se como
tarefa coletiva. O Sacerdote deve ser Homem de oração, maduro em sua opção de
vida por Deus, fazer uso dos meios de perseverança, como o sacramento da
Confissão, da devoção à Santíssima Virgem, da mortificação e da entrega
apaixonada por sua missão pastoral”(Cf. Dap, 195).
Por
fim, devemos estar certos que esta reflexão é contínua e apaixonante. É a nossa
condição de presbíteros que está sempre em jogo e que é o sentido da vida de
todos nós que nos consagramos ao serviço do Povo de Deus, como servidores do
Evangelho e ministros da Igreja. Que em cada Eucaristia celebrada, nos
ofereçamos ao Pai, por Cristo, por Ele e Nele, para a nossa santificação,
salvação do Mundo e glória de Deus, que é nosso Pai. Assim o seja!
Pe. Matias Soares
Pároco de São José de Mipibu-RN e Vigário Episcopal Sul da Arquidiocese de Natal.

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